setembro 2026

 

 

Quando em 2005 Hary Schweizer gravou o CD "COM LICENÇA!", incluiu nele a música MAGOAS DE FAGOTE, de Antonio Carlos Jobim. O manuscrito dessa música foi casualmente encontrado em uma das muitas publicações sobre o compositor e, ao que tudo indicava, a inclusão dela no CD seria também sua primeira gravação.

 

gravação disponível no SPOTIFY

 

 

 

Muito já se divagou sobre as tais mágoas;
Matias Schweizer, que ainda criança já fazia suas incursões artísticas (veja aqui>>>), arriscou um comentário poético:
 

 

O tom do Tom

 

Por que o Tom foi magoado?
Não sabemos, 
Talvez eu o pergunte na eternidade,
Se, para um café, for convidado.
 
Tom estranho, grave, misterioso,
Vezes lúgubre, vez irônico.
Mesmo quando alegre, tem um quê de sátira, 
De criança, quando arte põe em prática.
 
Um tom que encantou o professor,
Ainda quando nem aluno era.
Um tom que o chamou por toda a vida,
Como uma contralta sereia,
Atrai o marinheiro às pedras,
e este nem se percebe,
 tal paixão pelo seu som.
Paixão até o fim.
 
Quem se encanta com um instrumento tão engraçado?
Que, para ser ouvido, precisa estar todo dobrado?
Engano seu: ele é quem nos dobra.
Dobra aprendizes, feiticeiros, doutores, ouvintes.
Walt o adorava, constante em suas trilhas.
Em novelas, desenhos, séries também o tem.
 
Não sou instrumentista, mas o ouço muito-sempre.
Aparece discreto, quase nunca em solo,
Sussurrante, Envolvente, Hipnótico,
Voz de Sheherazade…
Ninguém está a salvo.
 
É Tom…Foste magoado?
Talvez todos, um pouco, fomos.
Não retribuir com paixão assim,
por esse tom, sim,
Sem fim…
 

(Dedicado a meu pai e aos poucos tantos fagotistas;

àqueles que ousaram retribuir essa paixão)

 

23/07/2026